[17 de junho de 2011]
Chegando em casa do trabalho eu gastei os 15 euros de bônus do cel novo ligando pra alsdkjf! Foi legal, gosto da voz e da risada dela, apesar de não termos falado nada demais... A namorada tem ciúmes de mim, HA-HA, mais uma pra lista! Foda-se.
By the way, falei com a djcnhfjdh, também. Ela tá bem bonitinha de moicano, mas that's all folks, que o resto eu só falo na presença do meu advogado... ou sem a presença de mais ninguém. he.
Beeem, morta de fome e sem janta, fiz um omelete com umas 4 gemas e mais um bando de porcaria lariquenta, deu simplesmete ERRADO, passei muito mal! Em seguida vi um filme com o gostosinho lá do Donnie Darko que eu sempre esqueço o nome, e aí fui pro meu quarto. Vesti a camiseta azul do comitê Mechelen, tenho dormido com ela. Meu quarto tem uma iluminação massa e é cheio de espelhos. Agorinha eu estava me vendo com aqueles óculos de aro bizarro que comprei em Amsterdam, cabelo preso meio ruivo, e essa camiseta... "Caraca! Sou oldie!". Tirei a roupa desesperada, fui dormir.
Voilà, meu pulso tá doendo de tanto escrever besteira, amanhã acordo cedo e vou buscar meu celular em Bruxelas. Belga é foda, né? Nem pra ter roubado aquela merda! Aaaah, boa noite!
PS I :
Caceeete, não consigo dormir. Fui me deitar pensando em gente errada, viajei, ih, merda, merda, merda! Desviei meus pensamentos pro Brasil e fui parar em Curitiba. Tenho imaginado como seria se eu morasse lá. Pelo que a Lais e os outros falam (só todos os dias que se juntam, o dia todo), deve ser a cidade mais fudida do universo. Na verdade, Curitiba sempre me intrigou. Eu tenho uma birra eterna com o lugar. Na real, eu odeio Curitiba. É um sentimento preconceituoso, parecido com meu nojo pela língua francesa. Provavelmente porque são duas coisas bonitas, lindas, fascinantes, que eu não domino. Aí fica feio, e se eu não mato a curiosidade, sinto necessidade de expelir da minha vida e da minha mente - sistema de segurança de quem é filho único até o talo, ok. Mas Curitiba é algo que eu ainda não expeli, e nem sei se vou, já que a frase "vou morar lá" é o segundo eco mais alto na minha cabeça, perdendo só pra "o seu intercâmbio vai acabar"... Well. É que minha treta com a cidade já é antiga. Quando penso em Curitiba, penso na Ju Vieck, que era minha brother junto com a Sofia, quando éramos criança. Melhor brother do mundo. Até que ela partiu pra porra do estado do Paraná, porque a porra da Texaco resolveu promover o pai dela naquela porra de trabalho, e a mãe dela não abriu a boca pra impedir que eles pegassem aquela porra de avião de merda. De repente, eu odiava até o cachorro dela, sem motivo, e culpava Curitiba. Percebe? Mesmo assim, sempre quis visitá-la. Nunca rolou...
PS II :
A djcnhfjdh é outra coisa bonita que eu não domino.
Vou dormir com este barulho...
[19 de junho de 2011]
Hoje é domingo e eu não estou a fim de escrever aqui.
[23 de junho de 2011]
Hoje é quinta. Ontem foi minha última Liège. Estive em Brugge, na casa da Flávia. Dormi lá uns 8364 dias e acabamos indo juntas. No trem ela dormiu, eu chorei. Foi ótimo. Foi rápido. Agora estou num vagão barulhento pra porra, voltando pra Mechelen sozinha. Tá chovendo, estou imunda, minha meia-calça rasgou inteira sei lá como, beijei umas 5 meninas, voltei bêbada, cambaleei pelas ruas de Brugge, andei de bike no escuro, dormi mal, sonhei com a volta, acordei estranha e agora estou ouvindo Skinny Love com o que resta de bateria no i-pod. Tem um cego andando pelo corredor do vagão. Tou triste pra caralho...
[24 de junho de 2011]
Caralho, desde ontem muitas coisas significativas aconteceram e eu ainda não escrevi, omiti certas piras do meu próprio diário, imagino que vá ser foda ler isso depois, ou não, ou eu simplesmente não sinto vontade de escrever, agora faltam duas semanas, 14 dias certinho, eu não sinto mais um pingo de vontade de "desabafar" ou whatever - eu apenas não quero que acabe.
Me recuso a escrever isso direito, cara, minha letra tá horrível e foda-se essa pontuação, foda-se as palavras que utilizo, isso aqui é meu último e mais sincero respiro literário, no fundo tenho sim me torturado com tudo que vem acontecendo.
Ontem Ana Paula veio aqui e assistimos Albergue Espanhol, muita coisa normal tem ocorrido de forma intensa pra cacete e geralmente eu ligaria pra casa pra contar empolgadíssima, mas acontece que eu não quero falar com eles, sei que soa péssimo mas eu não quero me sentir próxima do Brasil agora, porque quando eu queria, no inverno, não tinha ninguém que me salvasse a vida além dos intercambistas que também estavam com bronquite longe de casa e, por sinal, os que aguentaram até o fim não poderiam ser mais queridos. Cheers! Minha família hospedeira também é a mais foda de todas, eu realmente os amo, admiro, pago pau de todo coração e porra, tudo anda tão bom, tão bonito e tão certo que é exatamente isso que me abala, é bem isso que me tira o sono e me faz ter pesadelos horríveis a respeito da volta ou não, sóbria ou bêbada, de caráter sobrenatural ou apenas perturbador e insano - eu apenas não durmo mais.
É tenebroso perder uma namorada ou uma tia avó, mas eu nunca achei que o final do meu intercâmbio fosse doer do mesmo jeito, eu não consigo descrever a sensação que é isso, você sendo forçado a deixar um pedaço da tua alma do outro lado do oceano pra encontrar o outro pedaço que foi esquecido no freezer durante um ano, e não é como um namoro que acaba, não é como a morte ou uma separação qualquer, porque tudo continua, mais pessoas virão, comerão das mesmas batatas fritas e cometerão as mesmas cagadas tentando aprender uma língua ou três, a questão é cíclica, nada muda - eu apenas não vou estar aqui.
Porque por mais que eu me forme midióloga, antropóloga, jornalista ou que se foda e receba a bênção de um emprego por aqui no futuro (vai saber!), ou por mais que eu faça um Erasmus da vida durante a faculdade e sinta de novo o gosto de ser uma intercambista, todas as sensações que experimentei perderiam magia e intensidade, não terei mais 18 anos, não estaremos mais juntos, e mesmo se estivermos, não vai haver a adrenalina da primeira vez, a primeira cerveja, a primeira foto em Bruxelas, a primeira Liège juntos. É como um casamento. A gente se ama ao mesmo tempo que não se suporta e mesmo assim não se enxerga separados daqui pra frente. Todas as pessoas que fizeram parte da minha vida belga têm um papel na minha formação e sem dúvidas um lugar especial nas minhas memórias mais bonitas, a convivência que tivemos ao longo do ano fez com que eu não veja Gabriel como mineiro, Luna como baiana ou Alina como russa mas, sim, pela primeira vez sem ser da boca pra fora, seres humanos, projeções estranhas de mim mesma, que não sabem exatamente o que desejar na hora de um "pröst", mas de qualquer jeito estão aqui, ou aí, tentando descobrir.
Eu não venho de Brasília, não me chamo Renato Russo, aliás, nem curto o cara, não compus quinhentas e sete canções com suposições em cima do que é amor mas, de algum jeito, acho que estou no caminho certo - é apenas o que importa.
we've got BELGIUM love.
quarta-feira, 7 de março de 2012
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