Hoje meu dia foi muito bom. Nada demais, na verdade. Meu pai é um trabalhador social (meu português tá uma merda então traduzi literalmente, mas ele é mais que isso aqui - enfim), e tava rolando um lance de protesto na estação em Bruxelas, Stop The Killings, a respeito da merda toda na Colômbia, Filipinas and so on, e como ele é mega envolvido nós demos uma passada. A intenção era almoçar no restaurante brasileiro, depois participar da passeata, e então ir tomar cervejinha cos companheiro tudo do rolê, mas acabou que perdemos muito tempo na rua, os dois restaurantes brasileiros estavam fechados e, bom, até achar outro, esperar a comida, comer, e então se organizar com as crianças e andar até o lugar onde ocorreria o ato... quédizer, não fomos. Fomos diretamente pro local onde rolaria o "after", tomei um café, uma cerveja e vi uns curtas, meu nariz não parou de escorrer um minuto, eu senti frio mesmo com dois moletons e uma jaqueta, minha tosse piorou e as crianças estavam cansadas e chatinhas - tinha tudo pra eu estar pensando até agora que foi uma merda. Mas vou dizer de novo, cara, hoje meu dia foi muito bom. Eu não sei direito porquê, mas eu tive aqui um estalo. Sem mais nem menos aprendi uma coisa muito foda, que no fundo a gente deveria saber desde antes do intercâmbio, mas agora faz todo o sentido. Eu não vou perder tempo aqui com palavras difíceis porque, um, tá foda, dois, só intercambista entende mesmo. Eu tava mal humorada. Claro. Doente há um mês e esse frio. Poderia muito bem ter ficado em casa quentinha, dormindo e tomando chá o dia inteiro mas ontem de noite pensei watahell, botei o alarme pra 10h da manhã e fiz esse esforcinho, saí com eles. Cara. Escuta. Tanto em casa, na escola ou até na rua, nos pubs da vida, os dias podem ser extremamente iguais se a gente não abrir a boca. É fácil demais viver de fones de ouvido - ainda mais se for pra ouvir "chega de saudade" com a Robertinha Sá. A grosso modo: se eu não faço o esforcinho, ninguém vai fazer por mim. De jeito nenhum. Foda-se. Aqui eles podem apresentar um mundo de oportunidades - SE eu quiser enxergar. Mas fazer acontecer mesmo, ninguém além de mim. Todo intercambista é igual e tem as mesmas crises, esse é o chavão. Mas todo intercambista passa a ser um só, quando percebe que a experiência é infinitamente diferente pra cada um. E a magia da coisa é justamente isso, cada um faz o seu.
Mês passado teve um dia que eu cheguei radiante do colégio, me sentindo a felizarda por ter os colegas de sala mais fodas do mundo, foi um dia mega divertido e acho que nunca ri tanto com eles. Daí cheguei aqui e fiquei imediatamente fudida com a seguinte situação: eu querendo falar horrores e eles preocupados só com as crianças, cagando pra como eu tava. Emputeci e fui dormir toda birrada. No dia seguinte minha energia estava no chão e eu dormi em todas as aulas, quédizer - a culpa, realmente, é de quem?
Por isso e por outras que eu digo, manolo, sei que é foda, mas mesmo se você chega em casa e já sente que sua mãe -ou até seu pai- está exalando TPM, mesmo se ninguém perguntou algo elementar do tipo "como foi seu dia?"... apenas fale mesmo assim. Fale pelos cotovelos, em inglês, holandês, francês, como der. Não perca tempo no skype. Abra a boca pra quem tiver perto, levante a cabeça e se faça feliz.
sábado, 11 de dezembro de 2010
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
domingo, 5 de dezembro de 2010
Aquele formigamento bom.
Ih! Tou carente e me acomodei. É esse o meu problema, pronto. Sempre foi, né! Como se eu já não me conhecesse nesse sentido. Bom. Tou doente porra nenhuma. Tou triste nada. Tou é enrolada num cobertor, segurando uma caneca de chá com as duas mãos enquanto piso numa bolça de água quente e procuro na TV algum filminho água com açúcar que me proporcione um cochilo intenso no sofá. Assim fica fácil demais. Fácil demais dizer foda-se. Eu sempre fui desse jeito, estouradinha, quando forçada a fazer algo difícil demais ou que eu não goste. Pego birra com uma facilidade incrível. Sempre caguei pras responsabilidades, é isso. Sou sim, capaz de passar dias na cama envolvida pela preguiça, desde que haja um cafunézin e algo pra beber - há quem saiba bem disso. Eu não sou do tipo de achar tudo um saco, passei da fase também. Mas vamos ser realistas? Neve é um saco, cara. Falei. Certo, primeira vez que vi foi bacana, eu estava no quarto da minha irmã, ela sentava no meu colo enquanto eu 'lia' pra ela um livro bem, digamos, 'christmas feelings', o que deixou tudo mais emocionante também. Quando a bicha dormiu, eu desci as escadas e vi pela janela. JONGENS! IK ZIE SNEEUW! E pronto, botei a cabeça pra fora e gritei um CARALHO com uma voz que nem quis sair, de tão empolgada que eu tava. Fiquei lá, com a cabeça pra fora, igual uma mongolóide, tentando pegar floquinho com a língua, enfiando meus dedos na neve, depois tirando devagar e enfiando de novo, brincando nos furinhos, escrevendo meu nome, e o seu, e o dela, e o da familia inteira e de jesus e enfim. Claro que essa brincadeira rendeu uma bela gripe, daquelas que nunca passam realmente, apenas dão uma melhorada nos dias em que a gente acorda assim, ~inspiradíssima~. Mas não reclamo, não. Muito pelo contrário, olha, te contar que com essa gripinha tou no céu - já que, né, assumi que o frio me deu uma baqueada geral, tô podendo dar migué. Vidão. Tô aqui quase de férias, agasalhadinha, vivendo de xarope, alcool e paracetamol, sem precisar de fato ir pra escola... afogada na preguiça, vendo a neve cair sem precisar molhar o pézinho. Mas... porra, qua saco, também. Falta alguma coisa que não sei o quê. Que fase chata, bicho. Cadê meu sol? Me imagino igual uma louca de pantufa na porta do escritório da AFS gritando assim, OW, fasfavô de botar mais uns 40 graus aí nessa merda que eu não to pagando pra ter pneumonia! ... Aloca. Mas uma coisa é fato e vos declaro: tô na bosta, galera. Isso sim tava no contrato: pior fase do intercâmbio é o mês de dezembro. Daí eu penso, ih, to fodida com Jesus né, capricornianos teimosos que resolveram nascer no friozinho. Tô falando merda, mas ein... quando é que essa onda deprê vai passar, caralho? Cadê aquela parte em que os brasileiros param de chorar e viram belguinhas de vez? Tá louco, bicho, tudo bem que tá tudo no mesmo barco e se afundar a gente nada, mas tô uma chata. Até minha preguiça amiga me enjoa. Só penso no Brasil. O bar é o lugar que mais me faz sentir em casa. Qualquer bar, mas que seja de quarta-feira e me deixe muito louca. Chego no balcão, limpo a neve do tênis, tiro meu casaco e peço uma tequilinha. Hmmm, rapaz! Não sei mesmo o que acontece por aqui, mas da última vez tomei cinco e fiquei só meio quentinha. Aquele formigamento bom. E a vida fica bonita.
Parei por aqui que tá tarde.
PS: Papai Noel, enfia essa neve toda no... trenó! BEEEIJO, querido!
Parei por aqui que tá tarde.
PS: Papai Noel, enfia essa neve toda no... trenó! BEEEIJO, querido!
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