domingo, 2 de janeiro de 2011
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vamo lá, bélgica 2010 então. não cheguei a entrar em crise profunda por aqui por conta desse tempo sempre enlouquecido, do tipo passa e eu nem vejo, bem, saudade tem sim e sempre, mas nada que tenha me fodido os miolos ou me feito querer jogar a toalha, até porque eu sou cheia das minhas frescuras mas uma coisa eu posso sim dizer: na minha vida eu quase nunca fui a primeira a desistir, se tratando de uma meta, uma paixão ou até alguém que eu tenha amado muito, faço parte sim das pessoas que curtem um "pra sempre, até que...". pois bem. esse ano não teve texto de despedida, gente, preguiça daquela dramalheira toda, talvez não caiba mais analisar o quanto eu cresci e o quanto eu sofri e o quanto eu bebi e me fodi porque olha, foi coisa demais, foi alcool demais, foi e é sempre cagadinha adolescente em excesso, é ingenuidade, maldade, rancor, amor demais... aquelas coisas sangrentas e juvenis, numa intensidade triplicada, com direito a falhas na fala e na memória, idas e vindas no tempo, flashbacks e surtos reais de saudade. bem. esboçar uma descrição, uma síntese, "adeus ano velho feliz ano novo", pra quê? indecente, dispensável, vão. deixa que a Globo faz pra gente. minha preocupação é maior. tenho mais seis meses a frente e eu desaprendi a ver horas e a contar, digo een, twee, drie, vier... tá. se me dissessem Cora, estamos em agosto de 2010 eu juro que ficaria por demais confusa. parece loucura mas eu juro, não sei de mais nada. sei que fácil não é, mas disso todos já sabem desde o começo, sei que nunca fui simples nos meus sentimentos mas meu estômago tem dado voltas quando paro pra pensar no significado dessa palavra, ora essa, sentimento? que chatisse! digo que aqui eu cresci assim na marra e de certa forma no silêncio, entre um gole e outro e memórias sendo substituídas, lost in translation, dane-se. não preciso mais ser entendida. talvez esse esforço de meses tenha servido pra entender um pouco mais sobre os outros, não sobrando tempo pra ser mimada e egoísta como antes e, pensando bem, talvez isso tenha me feito mais feliz ou ao menos uma pessoa diferente - basta. me espanta as nóias pessoais, sei lá, sobrevivência terapêutica ou algo assim. o que interessa aqui não sai do coração, vem diretamente da garganta, coisa simples, cliche, que brocharia qualquer leitor se essa minha conclusão fosse parte de um texto sério, um final de livro of zo, mas vou dizer porque nunca fez tanto sentido. pronto? olha. nada, mas absolutamente nada mesmo do que você tem agora é pra sempre, animal. é bom cair de cabeça em tudo nessa vida, sem piscar. porque vai sim acabar, oui? então bonne année, porque é o mínimo que eu posso dizer a essa altura do campeonato... o resto não importa muito, mesmo, nada importa.